Aprenda como encorajar o coração daqueles que lideramos




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O bom líder é ao mesmo tempo duro e carinhoso: firme e justo; apaixonado pela causa e transbordante de compaixão. Querendo encorajar o coração dos seus liderados, ele aprende a demonstrar apreço, elogio, agradecimento, qualquer palavra ou gesto que signifique: “Eu me importo com você e com aquilo que faz. Você está no trilho certo. Está indo bem. Obrigado”. O encorajamento tem sete aspectos essenciais que examinaremos a seguir:

1. Estabeleça padrões específicos e fáceis de entender

Já experimentou participar de um jogo sem saber as regras, ou quando os parceiros, sem avisar, mudavam as regras? É muita frustração! Você evita esse tipo de situação e lança um bom alicerce para o encorajamento quando torna bem claras e inteligíveis as “regras do jogo”.

Para poder encorajar alguém, será necessário que tanto você quanto esse alguém compartilhem os mesmos valores, aspirem alcançar os mesmos padrões de excelência. O padrão estabelecido deve estar bem acima da mediocridade; deve exigir o melhor da pessoa. O padrão deve ser fácil de entender, e mesmo muitas vezes repetido, para que o liderado saiba que o padrão é importante.

Patinar num só lugar ou andar em círculos é deprimente. Ao contrário, quando conhecemos e entendemos os alvos, sentimos o desejo de gastar energia para nos movermos em direção a eles. Os alvos nos ajudam a concentrar a atenção e a ter melhor autoestima.



2. Espere o melhor

Os melhores líderes são confiantes de que os seus liderados serão capazes de alcançar o padrão estabelecido. Dedicam-se ajudar pessoas a realizar plenamente o seu potencial. Os liderados, percebendo isso, pensam: “Eu posso, sim!”

Lembre-se, entretanto, de que o encorajamento tem de ser sincero. As pessoas sentem a atitude por trás das palavras que escutam. Se eu disser: “Você pode, sim, tenho certeza disso!” enquanto estiver pensando: “Que esperança há? Isto aqui é fracasso garantido!” A minha hipocrisia será sutilmente comunicada e percebida.

3. Preste atenção

O líder tem que estar circulando no meio do seu povo, onde possa ver as coisas certas que estão acontecendo. Como disse alguém: “O pastor tem que ter cheiro de ovelha”. Não se trata de somente ver o que as pessoas estão fazendo; é necessário prestar atenção, entendendo o significado do que elas fazem. É dar importância às suas ações. Os melhores líderes têm uma espécie de radar para captar sinais positivos.

É ruim aquele líder que se considera xerife, circulando entre os liderados com o principal objetivo de descobrir se alguém está errando, trabalhando muito devagar ou criando problema. Na hora que esse líder aparece, todo mundo para de conversar e trabalha a mil. Entretanto, mesmo na presença dele, apenas trabalham de maneira diferente, mas não estão dando o melhor de si.

Quando sabemos que alguém vai aparecer à procura de problemas, a nossa tendência é esconder os problemas – o que garante que não serão solucionados. Se os que trabalham tiverem a certeza de que serão visitados por um líder sempre à procura de algo bom para elogiar, eles darão o melhor de sim, justamente para ter algo bom para mostrar. E nesse ambiente de mútua aceitação ajudarão uns aos outros a funcionar bem e melhor.

É preciso evitar, a todo custo que os membros da entidade pensem que os líderes se reúnem quase unicamente para lidar com problemas e criticar quem tiver cometido erros.

4. Personalize o agradecimento

Não tenha uma maneira padronizada de expressar gratidão a alguém diante do grupo. Procure incluir detalhes que personalizem, que dramatizem aquilo de tão certo que a pessoa fez.

O agradecimento padronizado é algo que poderia ser feito por alguém que nem mesmo conhecesse a pessoa em questão, e o resultado seria pouco motivador. Detalhes individuais, talvez até mencionando preferências e limitações que a pessoa teve de vencer para conseguir esse bom resultado tornarão o agradecimento muito mais precioso a quem o receber.

5. Conte a história

A narração de histórias é um dos mais antigos métodos do mundo para se comunicar os valores e ideais sustentados pela comunidade. Em culturas primitivas sem escrita, as histórias eram usadas para compartilhar as importantes lições da vida. Reconhecemos a importância da narrativa no ensino das crianças, mas nos esquecemos da sua importância no ensino dos adultos. De fato, pesquisas indicam que as pessoas confiam mais em histórias do que em estatísticas.

Hoje em dia, somos inundados de informações. Como classificar tudo e coar e guardar na memória algum pedacinho de informação?  Pesquisas revelam claramente que um dado é mais rápida e mais acuradamente lembrado quando é apresentado, inicialmente, por meio de um exemplo ou de uma história.

As boas histórias são divertidas e prendem a atenção. E as pessoas com quem trabalhamos, nossos liderados e discípulos, serão muito mais encorajadas se nós contarmos histórias sobre elas. Nossos filhos são amplamente motivados quando contamos histórias sobre eles.

A boa história nos emociona. Emociona, ensina e grava na memória. Ajuda o ouvinte a colocar determinado comportamento dentro de um contexto vivencial e entender o que é que alguém precisa fazer, dentro desse contexto, para corresponder às expectativas dos líderes. É como se aquele que faz o agradecimento público dissesse: “Toda vez que vocês se encontrarem numa situação do tipo que acabo de mencionar, façam como fez o Fulano. Ele pensou, pensou e descobriu uma maneira bem certa de agir de acordo com os nossos padrões. Sabem de uma coisa? Vocês poderão fazer o mesmo”. A boa história fica na memória por muito mais tempo do que uma palestra.

6. Celebrem juntos

Aquele que fez a coisa certa, da maneira certa, poderia ser elogiado em particular, no gabinete do líder. Um agradecimento público, porém, além de ser mais marcante para aquele que o recebe, beneficia os outros membros da entidade, porque a história transmite uma mensagem positiva a todos eles. Exemplo: A inauguração da Arena Pernambuco, no dia 2 de maio de 2013, com times formados exclusivamente pelos operários que trabalharam na obra.

Alguns líderes hesitam em elogiar publicamente um liderado, temendo que isso cause inveja ou ressentimento entre os outros. Entretanto, se o líder for uma pessoa genuína, gozando da confiança dos liderados, isso não acontecerá. Pelo contrário, tais atos de celebração contribuirão para criar um clima de encorajamento. Atos públicos de elogio por trabalhos bem feitos ajudam a criar aquele ambiente de união, de apoio social, que é fundamental ao nosso bem-estar e à nossa produtividade.

Pesquisas mostram que aquilo que diferencia grupos de alta produtividade daqueles que produzem menos, muitas vezes é a variedade e a freqüência de eventos em que se expressam elogios e agradecimentos. As melhores empresas criam uma cultura de celebração.

7. Sirva de exemplo

Se quiser que as pessoas sob minha liderança respeitem e apreciem umas às outras; se o meu desejo é que elas adotem o costume de encorajar umas às outras, terei de servir de modelo, mostrando como se faz determinada coisa.

As pessoas querem confiar nos seus líderes. Querem crer que se pode confiar na palavra deles e que eles praticam aquilo que dizem. A credibilidade é fundamental: se você não crê no mensageiro, é provável que não crerá na mensagem.

O envolvimento pessoal é uma genuína expressão de preocupação com o bem-estar dos outros. Tal envolvimento contribuirá para o desenvolvimento de confiança e parceria. A liderança não se pode exercer à distância. Ela consiste em relacionamento, e os relacionamentos se formam somente quando as pessoas se mantêm em contato umas com as outras.

Devido às diferenças entre um tipo de personalidade e outro, nem todo líder terá facilidade em encorajar os liderados. Mas o jeito é começar, e por meio de experiências, aprender a ser um eficiente encorajador de pessoas.

Quem sabe você adota o alvo de expressar gratidão a alguém, mesmo da maneira mais informal, cada dia. Essa ideia não é novidade. E tal encorajamento é de especial importância num ambiente como o da igreja, onde quase todos os que exercem os diversos ministérios são voluntários, não contratados. Ali, eles precisam sentir profundamente, no coração, que o seu trabalho tem sentido e é apreciado.

3ª Edição da Revista MDA

Extraído da Revista MDA, Ano 3 – N° 01/2014 – Texto adaptado de James M. Kouzes e Barry Z. Posner

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